Guterres saúda trégua em Myanmar e pede início de "diálogo sério"
- 03/04/2025
Numa declaração à imprensa na sede das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, António Guterres salientou que o sismo de 28 de março, que afetou especialmente Myanmar (antiga Birmânia) e que provocou mais de 3.000 mortos, "expôs as vulnerabilidades mais profundas" do povo birmanês, que mesmo antes dessa catástrofe já era atingido por crises políticas, de direitos humanos e humanitárias.
Guterres disse que o cessar-fogo recentemente anunciado é essencial para ajudar no fluxo de ajuda e deixar que os socorristas façam o seu trabalho, mas salientou que "o fim dos combates deve levar rapidamente ao início de um diálogo político sério e à libertação de presos políticos".
"Especificamente, um processo político inclusivo onde todas as pessoas de Myanmar se sintam representadas", reforçou.
"À medida que as comunidades em Myanmar se unem no luto, também é hora de união em torno de uma solução política para acabar com o conflito brutal", afirmou o líder da ONU, destacando que a solução deve incluir um caminho para um regresso "seguro, voluntário, digno e sustentável" do povo Rohingya.
Deve incluir igualmente o fim da violência e das violações dos direitos humanos em todo o país, assim como "um caminho para que a democracia crie raízes", afirmou.
Para avaliar a situação no local, Guterres anunciou que enviará para Myanmar o coordenador de Assistência de Emergência da ONU, Tom Fletcher, que chegará ao país na sexta-feira, e também a sua enviada especial para Myanmar, Julie Bishop, que irá reforçar o compromisso da ONU "com a paz e o diálogo".
"Apelo, em particular, à comunidade internacional para que intensifique imediatamente o financiamento vitalmente necessário para corresponder à escala desta crise", instou o ex-primeiro-ministro português.
E acrescentou: "Apelo para todos os esforços para transformar este momento trágico numa oportunidade para o povo de Myanmar".
O sismo, que motivou uma declaração de emergência em seis regiões, provocou a derrocada ou danos parciais em quase 21.800 casas, 805 edifícios de escritórios, 1.041 escolas, 921 mosteiros e conventos, 1.690 pagodes, 312 edifícios religiosos, 48 hospitais e clínicas e 18 hectares de plantações, segundo a junta militar.
Os danos causados pelo sismo vieram somar-se aos da guerra civil em curso no país, entre a junta militar que tomou o poder num golpe de Estado em 2021 e várias guerrilhas étnicas e forças do NUG, da oposição.
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