'Martinho' provocou queda de quase 100 mil árvores na Serra de Sintra

  • 03/04/2025

"Fizemos um primeiro diagnóstico para garantir o acesso das nossas equipas ao espaço em segurança e, neste momento, dos mil hectares que estão sob gestão da Parques de Sintra, cerca de 280 foram afetados pelo temporal Martinho", afirmou Sofia Cruz, presidente da sociedade de capitais públicos, em declarações à Lusa.

 

A responsável acrescentou que, destes 280 hectares (ha), cerca de 89 ha "estão severamente afetados pelo temporal, o que significa que há árvores sobrepostas umas sobre as outras, o que vai dificultar a sua recolha".

"Esta é a parte não visível da nossa operação. São mil hectares, com alguma geografia muito acidentada e, portanto, numa primeira etapa foi exatamente verificar o edificado, ver que não haveria danos severos nos palácios, garantir e desobstruir estradas de acesso aos nossos portões de serviço em segurança, aos nossos funcionários e às entidades externas que nos estão a ajudar a fazer esta primeira recolha", salientou Sofia Cruz.

Em comunicado, a Parques de Sintra-Monte da Lua referiu que "o mapeamento detalhado, realizado através de 'drones' [veículo aéreo não tripulado] e inspeções no terreno, identificou cerca de 200 hectares de floresta severamente afetados, dos quais 89 hectares registam danos muito graves, totalizando cerca de 93 mil árvores derrubadas".

"Nas matas e tapadas, especialmente as de Monserrate e de D. Fernando II, registou-se a queda adicional de mais cinco mil árvores em 80 ha", acrescentou a sociedade que gere os monumentos e parques da Serra de Sintra.

Nas semanas anteriores à depressão Martinho, a Serra de Sintra registou elevados níveis de precipitação, originando a saturação dos solos e, na noite de 19 para 20 de março, registou-se chuva intensa e ventos fortes, com rajadas que chegaram aos 169 quilómetros/hora no Cabo da Roca.

"A invulgar direção dos ventos, oriundos predominantemente de sul, contribuiu decisivamente para a magnitude dos estragos. Adicionalmente, a própria morfologia dos vales da serra" intensificou "os efeitos devastadores destes ventos excecionalmente fortes", lê-se na nota.

A combinação de elevados níveis de precipitação em fevereiro e março, solos com elevados níveis de saturação de água e árvores com raízes pouco profundas, associados à condição do vento, "levaram ao derrube das cerca de 98 mil árvores de diversas espécies" no perímetro florestal de Sintra.

"O grande grau de devastação deve-se à pluviosidade" nas semanas que antecederam a depressão Martinho, salientou Sofia Cruz, notando que, com "ventos na ordem dos 120 quilómetros" numa vertente não muito habitual, de sul, que atingiram até cerca de 170 km/h no Cabo da Roca, "as raízes ficaram instáveis" e "é difícil que alguma coisa fique de pé".

Além das zonas a sul do Parque da Pena, mais expostas ao vento, o Castelo dos Mouros também foi severamente afetado, bem como o Convento dos Capuchos", com danos principalmente no arvoredo, mas igualmente em "muros e taludes".

Entre as ações estão a limpeza urgente das árvores caídas, a estabilização de muros, taludes e estradas que ficaram seriamente comprometidos, bem como uma avaliação rigorosa dos riscos e dos danos sofridos.

"Neste momento, dois lotes que correspondem a uma área de 89 hectares estão classificados como prioritários, estando já a ser alvo de intervenções urgentes" e, até ao início do período crítico de incêndios, "dentro de três meses, decorrerão operações intensivas de remoção das árvores derrubadas e recuperação das condições de segurança nestes dois lotes", adiantou a sociedade.

Este processo, que exigiu um investimento inicial imediato de 300 mil euros, terá de ser interrompido durante o período crítico por imposição legal, sendo retomado em setembro e concluído até ao final do ano, tendo sido identificados outros oito lotes, correspondendo a 113 hectares, com diferentes níveis de prioridade.

Esta intervenção, que implicará um investimento estimado em 1,2 milhões de euros, começará "no segundo semestre deste ano e deverá prolongar-se durante os próximos dois anos", apontou a empresa.

A Parques de Sintra referiu que, paralelamente, está já "a desenvolver um plano detalhado que visa mitigar os efeitos erosivos provocados por este fenómeno e promover a rearborização das áreas afetadas", com prioridade para "a plantação de espécies autóctones, estratégias para manter a estabilização do solo, recuperação da cobertura vegetal, manutenção do equilíbrio hídrico e restabelecimento dos 'habitats' naturais", assegurando maior "resiliência da floresta face a futuros eventos extremos".

A avaliação do risco e necessidades de investimento no património construído, provocados pelo temporal, nomeadamente em muros, taludes e edifícios, identificou "12 intervenções urgentes, algumas delas já a decorrer, que implicam um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros".

No caminho entre os Capuchos e a Azóia, a Lusa constatou o trabalho em curso para desimpedir a estrada e o amontoado de árvores, por baixo do Monge, neste caso maioritariamente acácias, fustigadas pelo vento e deitadas ao chão como peças do jogo "mikado", como notou um técnico florestal da Parques de Sintra.

Após o cruzamento da Peninha, uma grande sequoia tombou na berma da estrada para o interior do perímetro florestal, expondo as raízes, e mais adiante o parque das merendas de Adrenunes ficou totalmente destruído, debaixo de arvoredo de grande porte, incluindo uma tuia, que tombou a partir da beira da estrada.

Entre as espécies afetadas estão acácias, eucaliptos, pitósporos, ciprestes, pinheiros sequoias ou carvalhos, mas até ao momento não foram encontrados vestígios de espécies animais diretamente afetadas pelo mau tempo.

"Eu sei que as pessoas esperavam uma rápida resposta, mas a nossa prioridade foi sempre abrir em segurança para trabalhadores, para visitantes" e só depois "continuar este trabalho que nos vai dar bastante tempo a concluir", resumiu Sofia Cruz, prevendo que no dia 08 reabram "mais algumas áreas do Parque da Pena, do Castelo dos Mouros e do Convento dos Capuchos".

Leia Também: Seguradoras registaram danos de 28 milhões de euros devido ao mau tempo

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/pais/2760834/martinho-provocou-queda-de-quase-100-mil-arvores-na-serra-de-sintra?utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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