Milhares protestam em Budapeste contra lei que proíbe Marcha do Orgulho
- 02/04/2025
A lei é a mais recente de uma série de medidas tomadas pelo governo do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, que, segundo os críticos, restringem os direitos da comunidade LGBTQ+ na Hungria.
A nova legislação visa proibir a Marcha do Orgulho LGBTQ+, alegando que viola uma lei de "proteção da criança", que permite às autoridades multar os organizadores e participantes de um evento deste tipo e utilizar ferramentas de reconhecimento facial para identificar potenciais infratores.
Agitando bandeiras húngaras e do arco-íris e cartazes com os dizeres "Chega de mentiras!" ou "Abaixo Orbán! Queremos a democracia", mais de 10 mil pessoas reuniram-se no centro de Budapeste, segundo um fotógrafo da agência France-Presse (AFP).
"Defendemos a liberdade de reunião", destacou Emese, uma psicóloga de 26 anos que não quis revelar o seu apelido.
Akos Hadhazy, deputado independente e organizador, disse que os protestos "não vão parar até que esta lei seja revogada", denunciando o que chamou de "lei tecnofascista" inspirada em leis semelhantes na China e na Rússia.
A legislação contra a Marcha do Orgulho de Budapeste já gerou oposição e protestos na Hungria.
Quando o parlamento aprovou, em meados de março, os manifestantes bloquearam uma ponte de Budapeste durante mais de três horas.
Os organizadores da marcha disseram que planeiam realizar a 30.ª edição da Marcha do Orgulho de Budapeste no dia 28 de junho.
O primeiro-ministro populista de direita da Hungria, Viktor Orbán, tem visado nos últimos anos a comunidade LGBTQ+ do país, proibindo a adoção por pessoas do mesmo sexo e --- numa lei de proteção infantil de 2021 --- banindo qualquer conteúdo LGBTQ+, incluindo na televisão, filmes, anúncios e literatura, que esteja disponível para menores.
Em março, um porta-voz da comissão de direitos humanos das Nações Unidas disse que a recente lei "resulta em restrições arbitrárias e discriminatórias aos direitos dos indivíduos LGBTIQ+ à liberdade de expressão, à reunião pacífica e à privacidade".
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